sexta-feira, 23 de abril de 2010

Domingo de Pascoa

Magdalena, menina tímida e alegre, acabara de almoçar e retirava o invólucro de um bombom que ganhara de Páscoa de seu avô. Amante dos doces, Magdalena se deliciava em seu quarto com o doce. Na sala, sua família tagarelava após a refeição. O sentimento de êxtase proporcionado pelo bombom já se findara, ela ainda revolvia sua língua no interior da boca para sugar os últimos sabores do chocolate que, infelizmente, já não existiam. A menina foi ao banheiro e escovou os dentes. Ouvia as altas gargalhadas de seu avô, enquanto se lambuzava de pasta de dente. Costumava escovar os dentes de boca aberta, deixando a pasta escorrer, era assim que gostava. Foi se dirigindo a sala. A porta do quarto dos pais estava fechada, sinal que se recolheram para cesta. A sala ficou em silêncio. Chegando nela, ouviu baixinho seu irmão sussurrando para o avô.
- Ela tava que tava vô, eu disse pra ela, e ela acredito. Dae não teve volta...
O avô soltou mais uma gargalhada e começou a lacrimejar de tanta alegria, se controlou um pouco e disse ainda rindo:
- Você é um avião meu filho, eu fiz muito disso também. Mas ela é sua namorada?
- Que nada vô. É uma menina aqui da vizinhança. Foi só uma vez.
Vendo os dois naquela alegria, chagando de sopetão, Magdalena pergunta:
- Do que vocês tão rindo tanto, posso saber?
Nesse instante, o menino ainda alegre e sorridente vê o avô num segundo mudar sua fisionomia drasticamente. Com a testa enrugada e com uma seriedade que não havia demonstrado nesse domingo em família, o avô pede a sua neta que sente ao seu lado e escute o que ele tem para dizer.
- Filinha, talvez, você seja novinha ainda. Quantos anos você tem mesmo?
- Tenho 16 vô.
- Bom, acho que nunca é cedo para aprender determinadas coisas na vida. Filinha, quando algum rapaz estiver com você num momento de romance e te falar que vai só colocar a cabecinha...(uma pausa com olhos vidrados na menina)...não acredite, pois essa cabeça não tem ombro.
Alguns meses depois, Magdalena entendeu o que seu avô tentou alertar naquele feriado de Páscoa, com seu segundo namorado, Alberto.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os "P's"

Atualmente, parece estranho, mas as obsessões se espalham e assumem papel importante na vida das pessoas. De todas as obsessões que perturbam as mentes dos sofridos seres humanos, o amor parece matar e enlouquecer mais que qualquer outra. Porém, ao refletirmos a respeito do amor monogâmico, cristão, individualista, possessivo e obcecado que vigora nos meios de comunicação e em grande parte de nosso mundo, percebe-se que ele tem como objetivo primeiro à busca por uma felicidade estável e racional, que obriga e pune para manter esta estabilidade. Outra conclusão também é possível tirar: que a busca pela felicidade individual pode negar o amor, que em verdade é permissivo, perdoa, aceita as diferenças e liberta. Talvez, o amor obcecado pode ser uma vertente da grande obsessão pela “felicidade permanente” que parece vender muito bem livros de alto ajuda e antidepressivos. Não aceitarmos que somos dotados de fraquezas e que o mundo esta longe de refletir os desejos de nossa mente é um erro, e muito egocêntrico por sinal, porém a felicidade e a alegria de viver esta dentro de cada um, essa seria nossa revolução! Um dia desses ouvi um filosofo falar, no Programa Provocações da TV Cultura, que a “felicidade permanente”, se é que é possível, só existiria numa faze mais avançada da vida, mas só depois de se libertar dos 6 “P’s”! Quais “P’s”? OS PAIS, PADRE/PASTOR, PROFESSOR, PATRÃO, PARTIDO(se partido fosse bom, seria inteiro) e PSICOLOGO/PSIQUIATRA. Boa sorte!!!!!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Por entre janelas

Pelas janelas dos coletivos vejo a ausência do Estado transposta em inúmeras igrejas lotadas de diversos fiéis, são estes desesperados que representam um neoliberalismo extremado que nunca se costurou com a realidade social das grandes capitais da América latina.

Hoje em dia há pastores de todos os níveis: teatrais, globais, intelectuais, comerciantes, atletas, advogados, empresários e negociantes do nosso futuro, seja ele no céu ou na terra. Essas igrejas que atuam em todas as áreas do trambique, além de indenizações estão pagando vários vexames como cair na cabeça de seus fiéis, pelo fato de como diz nosso caro Black Allien: “recorre aos pastores, o explorador da fé que infesta, em nome do senhor, dos senhores de forma desonesta”. Nessas horas como Chico Science fazia só nos resta perguntar pro Josué de Castro “o Josué nunca vi tamanha desgraça, quanto mais miséria tem, mais o urubu ameaça” e cantarolar nosso mestre e veterano mor Bezerra da Silva... Para reforçarmos nossa indignação de forma suave no maior “jeitinho brasileiro”!