sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ABRA OS OLHOS

ABRA OS OLHOS, NÃO PODE SER REAL
MILHARES DE VIDAS DEPENDENDO DE UM SIMPLES AVAL
A BUSCA E A GANÂNCIA POR KILOS DE MINERAL
MILHARES DE DOLARES MOVIMENTANDO JORNAL
MANIPULAM O POVO E GARANTEM SEU CARNAVAL
PUTA QUE PARIU ESSE É O NOSSO BRASIL
MULECADA COM 7 ANOS CARREGANDO FUZIL

ABRA OS OLHOS E VEJA NOVAMENTE
INDIO BANGUELA SORRINDO, ESTADO INCONCIENTE
COM MACDONALD NA MÃO, MANIPULANDO SUA MENTE
E O MAGNATA ENGRAVATADO ROUBANDO SEU TERRITÓRIO
INVESTIDO DOLARES E DOLARES EM MAIS UM LABORATÓRIO
FAZENDO REMÉDIO COM MATO BRASILEIRO
E O POVO DOENTE CAINDO EM DESESPERO

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Distintos Tempos

EU QUERO LENTIDÃO
DIVAGAR, IR NA CONTRA-MÃO
QUEM SABE ATÉ MIJAR OLHANDO PARA O MAR
NO CALÇADÃO DE IPANEMA,
BONITA, AMÁVEL, SERENA
FAVELA ANTIGO PARAÍSO DE ADÃO
QUE ESCOLHEU O PECADO PARA A SALVAÇÃO
DE UM POVO QUE DIZ NÃO
PARA QUE NÃO DÁ LIBERDADE, ESCOLHA E OPÇÃO
COMO O DESENHO DO PICA-PAU
ANTI-SOCIAL, ANTI-CULTURAL
CONTRA-CULTURA É NATURAL
PREFIRO FICAR SOSINHO
AO LUAR ,NUM BOM LUGAR
COM UMA TAÇA DE VINHO
A CULTURA É SUBSTÂNCIAL
NECESSIDADE BÁSICA DO SER-HUMANO
QUE FICA DESUMANO AO OUVIR O ENLATADO
QUE GANHA NA MTV TODO ANO!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ceará


Fazia 20 anos que o Ceará vivia na cidade do Rio de Janeiro. Ele saiu de sua terra natal com 7 anos, junto com seu irmão Clécio e Valdemar, os dois mais velhos que ele. Alagoano de nascença, pai e a mãe pernambucanos, sempre teve um apreço pelas reflexões mais demoradas, ou como ele mesmo dizia “pelo período de meditação”. Estava ouvindo Racionais Mc’s no dia do seu aniversário...pensou um pouco...resolveu escrever:

27 ANOS CONTRARIANDO A ESTATÍSTICA!!!
NÃO PORQUE AINDA ESTOU VIVO,
MAS PORQUE DESSA AQUI NINGUÉM ME TIRA
ALÉM DISSO, AINDA TENHO UM BRILHO NO OLHAR
QUANDO ME OLHO NO ESPELHO E
CONTINUO CONSTRUINDO O FUTURO ENQUANTO DURMO
MAIS VEZES PRECISO ENCONTRAR DO QUE FUGIR E POR ISSO
PERMANEÇO, ASSIM COMO O GALEGUINHU DO COQUE,
SEM MEDO DA PERNA CABILUDA
JÁ NÃO TÃO INOCENTE, MAS AINDA NÃO BANDIDO

Ele escreveu mais um pouco...parou...refletiu...releu algumas vezes, mas não gostou muito, pensou que deveria mudar algumas coisas depois. Fechou o caderno e saiu de casa. Foi no bar da esquina para encontrar seus dois irmãos, suas cunhadas e sobrinhos. O churrasco estava em ponto de bala. A costela já estava saindo. Um gole de cerveja, muitos abraços e beijos. Recebeu uma mensagem de Cláudia que dizia que em breve estaria chegando no bar. A noite era agradável e o Ceará sorria para Lua.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Do diário caribenho de Juanita ,

O prazer da imagem, da viagem.
Recebo muitas visitas ultimamente,
Lençóis maranhenses.

Gostosas gotas de suor
Futebol, cachaça e cerveja
Não há nada melhor.

Samba de coco,
vida sonora,
em cada buraco,
um grande fato.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Logicamente Bagual


Como bagual persistente, educado e treinado em Istambul
Representante do terrorismo verbal do Rio Grande do Sul
Movimento crescente, que como Buda mantêm o desapego presente
E seu fluido transpassa o cérebro e coloca informação como meio
Invertendo a lógica escatológica, do fim para o começo
O juízo final só existe pq se não, não tem tributo para o sustento - Clerical
Mono-racial e anti-cultural que retira o pão,
Mas nos da a raiva para nossa ação
Acreditando que os meios não servem só para os fins
Eu boto fé em ti, esse poder ninguém vai tira de mim.
Nossa Base sempre foi assim
Não dando brecha para nenhuma decaída
E mantendo sempre a lógica – invertida

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sonhos de uma Noite de Inverno

Às vezes, a realidade parece sonho. Estava numa festa que há muito tempo eu não via. Em uma casa antiga, pé direito alto, salas espaçosas iluminadas por velas, com a luz necessária para dar o clima certo. Na sala maior, onde tinha um piano antigo encostado em uma parede, estava uma banda fazendo uma “groovera” de alto nível, com percussão estilo Fela Kuti. O som era alto, muita conversa e fumaça no ar. As pessoas dançavam enlouquecidamente, o clima era lisérgico. Estava meio tonto, pela bebida, ou pelo baseado, ou pelos dois, mais provável. Era diferente, me sentia leve e um pouco mole. Eram várias pessoas na mesma sala, estava meio abafado, mas era inverno, as janelas estavam abertas, por isso, a temperatura era ainda agradável. Uma movimentação constante. Fechei os olhos por alguns instantes e flutuei no som...senti alguém segurando meu braço. Abri os olhos, olhei para o lado e reconheci quem me segurava. Fazia muito tempo que não via Vanessa. Era uma morena um pouco mais baixa que eu, com um lindo quadril, ela estava de cabelo curto, o que ficava muito bem nela, graças ao seu lindo rosto. Quando há conheci, nós éramos adolescentes e sedentos por novas descobertas, em especial as sexuais. Fizemos muito sexo em um curto espaço de tempo e por razões que nem sei direito acabamos não interagindo mais. Até vi ela algumas vezes, mas sempre eu ou ela estávamos acompanhados. Ela falou algo no meu ouvido que não consegui entender, mas seus olhos deixaram claro o significado das suas palavras. Ela me puxou, nos demos às mãos e subimos para o segundo andar da casa. O fim da escada dava em um corredor com várias salas, apenas uma tinha porta: a ultima. As outras eram iluminadas com diferentes cores, todas bem opacas. Umas vermelhas e, outras verdes e enfumaçadas. Puxei ela para primeira sala de luz vermelha. Quando olhei nos olhos dela e abri a boca para proferir algumas palavras, ela imediatamente pôs o seu dedo indicador transversalmente na minha boca, depois retirou e me beijou. Para algumas pessoas há momentos que as palavras só atrapalham, eu concordo com isso. O beijo foi longo, como os de namorados que há muito não se viam. As minhas mãos flutuavam pelas curvas do lindo corpo de Vanessa num grande frenesi. Olhei em volta, havia muitas pessoas na sala. Ela percebendo minha excitação me puxou novamente. Fomos até a porta que estava fechada e eu abri. Era um banheiro bem antigo, como o resto da casa, com um corredor com três pias e quatro portas, tudo muito branco e limpo. Entramos em uma das portas e ela chaviou. Nem consegui ver bem o que tinha dentro, ela me encostou na parede, soltou o meu cabelo e disse:
- Que bom que tu ainda tens cabelos compridos, acho lindo.
Ela sorriu e me deu um leve beijo na boca. Abaixou-se, abriu minha calça e com a mão retirou meu pau já rijo como uma tora. Ela o acariciava com extrema maestria e dava curtas lambidas que me enlouqueciam. Eu delirava de olhos fechados, quando de repente alguém começou bater na porta freneticamente e a chamar meu nome. Caralho!!!!! Agora não!!!!
Abri os olhos, estava deitado em uma cama sozinho. Olhei em volta...estava em casa.
- Fausto!!!! Fausto!!! Já é onze e meia, daqui a pouco não tem mais ônibus. Levanta mané.
- Já acordei meu, da um tempo.
Acordei de pau duro. Que sonho bom! Esses dias, ouvi um médico falar que os homens têm dezenas de ereções durante a noite e que isso só ocorre por que nossa mente vive intensamente os nossos sonhos, ela não separa o sonho da realidade. A diferença é que temos um mecanismo em nossos cérebros que não permite enquanto estamos dormindo que os impulsos nervosos gerados por nosso cérebro, durante um sonho, sejam transmitidos ao resto do nosso corpo. Porém, esse mecanismo pode falhar, daí aparecem as pessoas que falam durante a noite, se mexem e os sonâmbulos que saem caminhando por aí. Pensando nisso, cheguei à conclusão de que é melhor viver num sonho do que sonhar acordado. Talvez eu possa aprender a voar...
Levantei sem querer sair da cama. Era sexta e a noite seria boa, foi o impulso que meu cérebro deu ao meu corpo para sair de baixo das cobertas naquele frio. Já vestido saí do quarto e fui para sala, onde estava o Pedro com um baseado numa mão e uma caipirinha do nosso limão-bergamota, que dá em uma arvore que temos no pátio de nossa casa, na outra. Sei que algumas décadas atrás, a maioria das casas possuía pátios nos fundos com plantação de frutas, verduras, temperos e plantas para fazerem chás. Em muitas cidades do interior isso ainda é comum. Hoje em uma capital o que era algo dado pela natureza é um bem caro de mais para se dar ao luxo de consumir. Uma coca-cola com todas as suas fazes de produção, propaganda e embalagem é mais barata do que um suco natural. Acho que em uma cidade arborizada como Porto Alegre, deveríamos ter muito mais arvores frutíferas pelas ruas e nos parques. Por que não? Diariamente são colocadas fora milhares de frutas que estragam em supermercados e armazéns. Nós, humanos, não somos capazes de controlar a natureza? As arvores são só para fazer sombra e fotossíntese? Ou a natureza do homem é que não se controla? A maioria das pessoas apoiaria a idéia de arvores frutíferas espalhadas pela cidade, mas e “aquela” minoria?
Baseadinho fumado e caipirinha tomada, fomos morro abaixo em direção ao ônibus da noite. Fomos direto para o Bar do João jogar uma sinuca e nos encontrar com uns amigos. Mal chegamos e já fomos bem recebidos.
- E dae cambada vieram a pé? - Disse o Marcelo com aquele seu sorriso irônico no rosto.
- O Fausto com a mania de dormir antes de sair para noite, sempre é uma lêndea pra sair da cama.
- Não enche Marcelo, ta falando isso porque ta perdendo pro Alfredo. Hahaha. Qualé a boa da noite?
- Pois então, estávamos só esperando vocês. A festa é lá no casarão da praça do Alto da Bronze.
- Du caralho mano. Vamos pra lá então. – Consentiu Pedro feliz da vida.
Fomos direto e reto para a casarão do Alto da Bronze, Marcelo estava de carro. Ao descer do carro tive aquele sentimento de “déjà vu”. Ao entramos na casa o sentimento se mantinha. Casa antiga, pé direito alto, salas espaçosas iluminadas por velas, com a luz necessária para dar o clima certo. O som era alto, muita conversa e fumaça no ar. As pessoas dançavam enlouquecidamente, o clima era lisérgico... senti alguém segurando meu braço. Às vezes, o sonho parece realidade...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Várias cervejas, alguns baseados, muitas risadas e um jogo de copa.

- O Loco* Khedira* que vocês Forlán* naquela festa.
- É Perez*, cheguei e encontrei o Arévalo* que me disse que Boateng* na festa.
- Conheci uma Cacau* que gostou do meu Cavani*. Levei a Muller* lá pra casa. Ela era meia Godin*, mas pedi para ela me mostrar o Butt*, ainda bem que ela tinha Podolski* o Ozil*. Dae eu Merte(até o)sacker*, eu Fucile* até ela dizer Schweinsteiger*. Ela se vazo como os Rios* e disse tu é o Maxi*o Pereira*. Pena que ela era menor e eu acabei no Cárceres*...

* Jogadores da selação da Alemanhã e do Uruguai: Butt, Boateng, Mertesacker, Friedrich e Aogo; Khedira, Schweinsteiger, Müller e Özil (Tasci); Jansen (Kroos) e Cacau (Kiessling).
Muslera, Fucile, Lugano, Godín e Cáceres; Pérez (Gargano), Arévalo Rios e Maxi Pereira; Forlán, Suárez e Cavani (Loco Abreu). O Podolski não jogou nesse jogo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ao Fechar os Olhos

A CLARIDADE DE UM SONHO ME FEZ FECHAR OS OLHOS
DESDE ENTÃO ENXERGUEI MAIS LONGE QUE OUTRORÁ
E NUMA VIRADA DE ROSTO QUE VI BEM
VOCÊ ME NAMORA
E NO NOSSO GOZO: O GOSTAR, FLUIDO DE FELICIDADE,
GEMIDOS, ALEGRIA
MUNDO QUE GIRA E NOS ESTREMECE
MARCHA QUE NÃO EXIGE RESPEITO, MAS DOAÇÃO
MEXE NO CORAÇÃO
FRANCO ATIRADOR NESSA GUERRA NÃO SUA, NEM SE ENERVA
É COM OLHAR CERTEIRO QUE VEJO O MEU DESEJO
O ALVO É FLUIDO: UM GOSTO, UM CHEIRO SUAVE
QUE FAZEM A MIRA E A ATRAÇÃO – FUMEGA A FUMAÇA
COM ROSAS OU SEM, TE ENCONTRO NA PRAÇA
ALGUNS DIAS EU TE BEIJO NOUTROS VOCÊ ME ABRAÇA
MASSA É TE VER ASSIM...PENSANDO NA VIDA
OLHANDO PRO CÉU E RINDO DE MIM...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Do diário de Juanita :

Você embriaga-me com todo seu delírio de viver;
Olha-me pra me comer ou simplesmente por me olhar.
Te quero eternamente ou nunca mais.
Um dia nublado de Porto Alegre.

Silêncio!
As árvores namoram no parque.
Essa poesia morreu na imensidão das luzes nas árvores.
Poa, redença.

Riqueza de espírito
Lua sumiu
Tristeza partiu
Vento pra longe
Caminhos de areia
Longe...
A lua cheia
Cães, sempre.
Somos insensatos
Como gatos
Em busca do instinto.
Dócil ser humano
Poder de conquista
De mentira monarquista
Em tom de revolução!
Venda da Das Dores, Praia da Pipa, R.N.

Sou o que em pó me consomem
E a lua cheia me come
Em cântaros do vinho amargo
Na noite fria de um amor em pedaços
Que se desfez em goles de um mundo vão.
Sonhos com terras distintas
Que durante a vida toda me perseguirão
Nenhuma liberdade há de ser permitida
Pelos homens na terra
Enquanto os egos mortais sucederem
Navios gigantes de banais seres
Pra cá sempre virão.
Poa, dia sem inspiração.

Hoje no mar
milhares de bichinhos não me deixaram nadar.
Fixaram-se em mim como seu eu fosse uma praga
Que o espaço deles quizesse ocupar.
Eu, com toda minha vaidade de espécie humana alto falava :
Êita, que até piolho existe no mar!
Dia de sol equatorial, Alcântara - M.A.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não Compre, Plante!!!

Acordei tarde naquele dia chuvoso. Era quinta-feira, uma da tarde, desempregado tem um cotidiano confuso. Recebi uma mensagem dizendo: “chega aqui em casa às 15h, que ta na mão”. Levantei com muita preguiça. Dias cinzentos como esse são propícios para ficar na cama com um bom vinho. A barriga roncava, não tinha nada para comer. Lavei o rosto. Juntei todas as “pontas” que encontrei e fechei dois fininhos. O mais “perninha de grilo” eu acendi e coloquei um som. O ultimo cd do Alice in Chains, combina com dias chuvosos. Terminei de fumar e sai porta afora. Eram dois ônibus até a casa do malandro. Ratiei, parei uma parada antes. Tive que caminhar. Sabia que era na Saturnino de Brito, na primeira rua à direita depois da sinaleira, na casa verde. Cheguei lá, bati na porta. Demorou alguns minutos e saiu uma senhora tossindo muito. Eu disse:
- Boa tarde, o Eloi está?
- Não ta não. O que você qué com ele?
- Tinha ficado de pegar uns dvds com ele agora às 3 da tarde.
- Ah ta. Ele teve que ir no posto de saúde buscar um remédio para mim. Saiu faz pouco – falou sem vontade.
- Humm. Ta bom então.
A senhora que tossia muito fechou a porta e seguiu para o que é que fosse que ela estava fazendo, arrastando os chinelos, que fazia barulho no assoalho de madeira. Caralho, me fodi! Olhei em volta, só tinha loja de autopeças e vidraçarias. Tinha que esperar em algum lugar. Vi um bar, mas as grades estavam fechadas. Informei-me com um tiozinho que estava em frente, que tinha jeito de curtir uma canha. Ele, sem titubear, disse que tinha uma sinuca na outra rua, logo dobrando a esquerda. Cheguei lá era uma birosca pequena com uma mesa de sinuca no meio, duas mesas de metal bem no canto, com as cadeiras encostadas na parede. Do outro lado da mesa de sinuca tinham quatro maquinas caça níquel, três desligas e uma ocupada com um tiozinho careca que jogava aquele jogo do Halloween e tomava uma cachacinha. O dono do bar sentado em uma das cadeiras encostadas na parede olhava a novela em uma TV minúscula. Pedi uma Brahma e me sentei. Ele levantou e foi buscar atrás do balcão, que ficava no fundo do bar, a cerveja. Observei que tinha um pôster do Brasil campeão de 2002 e comentei sobre futebol com ele, teria de ficar um bom tempo ali e precisava me distrair. O dono do bar não tava muito para conversa, disse duas palavras e se calou. Continuou vendo a novela. A cerveja tava morna, mas eu estava com sede e tomei sem problemas. Chegou um senhor, meio manco, cumprimentando:
- E ai Zeca! Achei que tu tava fechado até, nesse frio ta bom é de ficar na cama.
- Bem que eu queria, mas esse ai não larga dessa maquina, ta ai dês das 10. Não posso fechar.
É tão difícil arriscar na vida e apostar alto nela que, talvez, seja melhor mesmo seguir tranqüilamente a vida e deixar para arriscar somente o dinheiro. Se bem que pode ta faltando na casa dele.
- Zeca, vim aqui só buscar uma água e já vou embora, a mulher ta lá em casa esperando.
Os dois foram conversando para frente do bar e não escutei mais o que conversavam. Olhei para o relógio eram quase 4 da tarde. Vou ligar para esse cara. Paguei a cerveja e saí. Fui no orelhão e liguei.
- E ai Eloi, aqui é o Fausto. Que horas tu chega em casa?
- Porra meu, to fodido aqui numa fila no posto de saúde. Te mandei a mensagem dizendo que ia chegar pelas 5.
- Não meu, tu escreveu 15 horas.
- Bah véio. Foi mal. Foi um “1” a mais. Tu já ta ai em casa?
- To num bar perto. Ta acabando as unidades. Que horas tu chega?
- Daqui uma hora e meia to por ai.
- Putz. Ta meu. Vou te espera.
Desliguei puto da cara. Bom, já tava na casa do caralho, não tinha muito o que fazer. O que é um peido para quem esta cagado? Lembrei do fininho de “pontas”. Fui dar uma volta e fumei metade. Fez a cabeça. Resolvi voltar ao bolicho e tomar mais uma ceva. Olhei na carteira, tinha dinheiro para mais duas cervejas e para as 50g. O bolicho dessa vez estava mais movimentado. Duas das maquinas caça níquel estavam ocupadas agora, o tiozinho careca continuava jogando. O senhor, meio manco, continuava lá também, agora tomando uma cuba libre e conversando com um outro senhor que não se entendia muito o que ele falava, chamavam-no de Sassa. Não sei se era pela falta de dente, muita cachaça ou se ele já tava meio loco da cabeça mesmo, mas ele embaralhava muito as palavras. Porém todos conversavam com ele e pareciam conhece-lo há muito tempo. Pedi uma cerveja e, dessa vez, levei uma das cadeiras para frente do bar e me sentei. A cerveja continuava morna. O senhor manco veio conversar comigo, falou de futebol e de uns problemas familiares que ele tinha. Logo chegou um veterano chamado Didi, que foi cumprimentado por todos, era no mesmo clima do Sassa, só que dos 8 dentes que aparecem na boca de uma pessoa que sorri, ele tinha 3, dois no canto direito e um bem no outro lado, também era difícil entende-lo. O senhor manco disse que essa hora todos vem para o bar. O Sassa conversava comigo e com o senhor manco, ele estava de aniversario, fazia 55 anos. Ia ter um sopão no dia seguinte para comemorar o seu aniversário. Vários que estavam ali já tinha se disposto a contribuir com algo no sopão do Sassa. Conversamos naturalmente, sem entender muito bem o que ele dizia. Logo o Sassa se foi. Uma tiazinha apareceu e cumprimentou todos, pediu um butiazinho e foi pro caça níquel. A essa altura já estava entrosado naquele ambiente. Senti-me bem relaxado, me distraia hora com a rua e hora com as pessoas do bar. Chegou um rapaz de uns vinte e tantos anos, com boa aparência. Pediu uma cachaça e foi para fila do caça níquel, três maquinas estavam ocupadas e a outra estragada. Ficou esperando um tempo, ninguém largava o jogo e ele intimou o Didi para jogar sinuca apostando a ficha. O Didi bebia um liquido amarronzado, que não me atrevo a arriscar o que era, escolheu seu taco e começaram a jogar. Era uma mesa pequena, com cinco bolas azuis e cinco vermelhas. O rapaz abriu o jogo fazendo uma bola, depois fez outra. O Didi resmungava algumas palavras de indignação por estar perdendo. Pensava eu, que covardia desse cara jogar com um tio completamente bêbado. O jogo seguiu, ficou empatado na ultima bola. E o Didi acabou ganhando. Os dois jogavam bem, percebi que o Didi conhecia as caídas da mesa e tinha calma nas horas decisivas do jogo. Ele ganhou mais três partidas. O rapaz desistiu e foi jogar caça níquel, já que a tiazinha já tinha se sentado e agora só degustava seu butiá. Pedi mais uma ceva e uma cachacinha de butiá, me deu vontade só de olhar a tia tomando. Nisso chegou outro veterano, era um senhor negro e só tinha um dos oito dentes da frente. Didi o convidou para jogar. O jogo também era de alto nível, tacadas impressionantes. Ficaram por uma bola os dois, o veterano negro ganhou dessa vez. Resolvi olhar o relógio no celular. Caralho, eram 7h30 da noite e tinha duas mensagens. A primeira “já cheguei, vem pra cá” e a segunda “demoro, vou pra Canoas”. Tomei mais uma cerveja, essa estava gelada, e fui para casa. Agora tinha só meio fininho...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Adão, Eva e uma birosca

Já se passavam das 2 da manhã. No começo eram cinco, agora só restavam dois dos colegas de trabalho, bebendo e fumando no bar, naquela terça-feira chuvosa. Era uma antiga birosca no centro da cidade, com pouca luz, mesas e cadeiras de metal e os ovos e pepinos em conserva sobre o balcão. O dono era um italiano que vivia falando da Grande Guerra, na qual, seu pai havia sido grande herói e que hoje em dia não existiam mais pessoas a quem se louvar. Todos, para ele, não se passavam de mentiroso e enganadores. Porém, era muito atencioso com seus clientes e muito falador.
- Dae Ataliba, esse teu time vai se classifica? Ou tu já largo a toalha? Disse o italiano.
- Até parece Seu Vicente, sabe que não ta morto quem peleia. Vamos classificar e ser campeão!!!!
- Háháhá. Vai mais uma ?
- Claro!!! E aquela de butiá para acompanhar.
- Com eu ia te dizendo Ataliba... essa gente do escritório não presta, viu só esses três, ficaram aqui se salameando, se fazendo de amiguinho. O Turco queria ver se nos pegava falando mal do patrão. Não acredito nessa gente, por isso, não digo nada. Com eles só falo de futebol.
- Moises, Moises...
- Tu sabe que tenho razão. Há quanto tempo tu me conhece? Não gosto desses leva e traz de patrão.
- Essa ta gelada Vico? A outra tava morna!!!
- Rapaz, toma e me diz. Aqui não tem essa estória de morna!
- Essa ta boa. Mas é esse butiá que ta especial, curtiu quanto tempo?
- Esse é a gringa que faz, não sei direito, mas acho que uns 2 meses.
- Vê outro então, para não perder a prática...hehehe
Moises, relaxa home, faz o que tu tens que fazer e esquece desses infelizes. Vamo fala de coisa boa, que traz felicidade. O show de sábado como tava?
- Tava bem cheio. Mas passaram a mão na minha mulher. Dae me incomodei com dois lá dentro e mais com os seguranças lá fora. Foi foda!!! Tudo deu errado. Por isso, odeio tanto essa gente. Que desgraça é o povo. Acho que rico é que ta certo, tem que viver isolado mesmo. Sai da garage de casa e entra na garage do shopping. Show? Só se for na área VIP. Futebol é nas cadeiras.
- Tu ta loco!
- Loco nada! Se gente de mais fosse bom, não tinham colocado só o Adão e a Eva no paraíso, iam coloca um monte de neguinho. E mesmo assim, “as merda” foram lá e comeram o que não podia. Os seres humanos são uns coco mesmo.
- Maluco, discordo de ti em gênero, número e grau.
- O homem é cheio de vícios, defeitos e ódios. Propaga o mal por todo planeta. O que há de bom?
- Sei disso. Mas querendo ou não, o homem é o eixo do nosso mundo. E eu sou faminto de amor pela humanidade e, quando se tem fome, o pão, mesmo mal cozido, parece bom. Gringo traz a conta!!!!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sifras Borbulhão Em Sua Boca Suja



PARTES SÓLIDAS DESPRENDEM-SE DO SEU MUNDO
HÁ TEMPOS QUE O TEMPO VALE MAIS DO QUE TUDO
NA FUMAÇA DA FABRICA NASCEM MOINHOS
NO CÉU DE PECADO SE CONTROLAM OS CAMINHOS

SE DIVERTEM COM IMPOSTOS, SE MASTURBAM COM OS JUROS
ENFIÃO NO CÚ O DINHEIRO
GOZAM COM O SOFRIMENTO DOS OUTROS
SADICOS FILHOS DA PUTA
FAZEM DE ONTEM A DATA DE ENTREGA
SUA GRANA E SEU EGO FAZEM DO TEMPO UMA GUERRA
DESPERDIÇANDO PRAZER, NÃO VIVENDO O PRESENTE
SEUS MELHORES AMIGOS SÃO OS QUE ESTÃO AUSENTES
SEM TEMPO, COM PRESSA, CORRENDO SEM RUMO
FUGINDO DO NADA SEM CHEGAR NO OUTRO MUNDO
SIFRAS BORBULHÃO EM SUA BOCA SUJA...


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Domingo de Pascoa

Magdalena, menina tímida e alegre, acabara de almoçar e retirava o invólucro de um bombom que ganhara de Páscoa de seu avô. Amante dos doces, Magdalena se deliciava em seu quarto com o doce. Na sala, sua família tagarelava após a refeição. O sentimento de êxtase proporcionado pelo bombom já se findara, ela ainda revolvia sua língua no interior da boca para sugar os últimos sabores do chocolate que, infelizmente, já não existiam. A menina foi ao banheiro e escovou os dentes. Ouvia as altas gargalhadas de seu avô, enquanto se lambuzava de pasta de dente. Costumava escovar os dentes de boca aberta, deixando a pasta escorrer, era assim que gostava. Foi se dirigindo a sala. A porta do quarto dos pais estava fechada, sinal que se recolheram para cesta. A sala ficou em silêncio. Chegando nela, ouviu baixinho seu irmão sussurrando para o avô.
- Ela tava que tava vô, eu disse pra ela, e ela acredito. Dae não teve volta...
O avô soltou mais uma gargalhada e começou a lacrimejar de tanta alegria, se controlou um pouco e disse ainda rindo:
- Você é um avião meu filho, eu fiz muito disso também. Mas ela é sua namorada?
- Que nada vô. É uma menina aqui da vizinhança. Foi só uma vez.
Vendo os dois naquela alegria, chagando de sopetão, Magdalena pergunta:
- Do que vocês tão rindo tanto, posso saber?
Nesse instante, o menino ainda alegre e sorridente vê o avô num segundo mudar sua fisionomia drasticamente. Com a testa enrugada e com uma seriedade que não havia demonstrado nesse domingo em família, o avô pede a sua neta que sente ao seu lado e escute o que ele tem para dizer.
- Filinha, talvez, você seja novinha ainda. Quantos anos você tem mesmo?
- Tenho 16 vô.
- Bom, acho que nunca é cedo para aprender determinadas coisas na vida. Filinha, quando algum rapaz estiver com você num momento de romance e te falar que vai só colocar a cabecinha...(uma pausa com olhos vidrados na menina)...não acredite, pois essa cabeça não tem ombro.
Alguns meses depois, Magdalena entendeu o que seu avô tentou alertar naquele feriado de Páscoa, com seu segundo namorado, Alberto.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os "P's"

Atualmente, parece estranho, mas as obsessões se espalham e assumem papel importante na vida das pessoas. De todas as obsessões que perturbam as mentes dos sofridos seres humanos, o amor parece matar e enlouquecer mais que qualquer outra. Porém, ao refletirmos a respeito do amor monogâmico, cristão, individualista, possessivo e obcecado que vigora nos meios de comunicação e em grande parte de nosso mundo, percebe-se que ele tem como objetivo primeiro à busca por uma felicidade estável e racional, que obriga e pune para manter esta estabilidade. Outra conclusão também é possível tirar: que a busca pela felicidade individual pode negar o amor, que em verdade é permissivo, perdoa, aceita as diferenças e liberta. Talvez, o amor obcecado pode ser uma vertente da grande obsessão pela “felicidade permanente” que parece vender muito bem livros de alto ajuda e antidepressivos. Não aceitarmos que somos dotados de fraquezas e que o mundo esta longe de refletir os desejos de nossa mente é um erro, e muito egocêntrico por sinal, porém a felicidade e a alegria de viver esta dentro de cada um, essa seria nossa revolução! Um dia desses ouvi um filosofo falar, no Programa Provocações da TV Cultura, que a “felicidade permanente”, se é que é possível, só existiria numa faze mais avançada da vida, mas só depois de se libertar dos 6 “P’s”! Quais “P’s”? OS PAIS, PADRE/PASTOR, PROFESSOR, PATRÃO, PARTIDO(se partido fosse bom, seria inteiro) e PSICOLOGO/PSIQUIATRA. Boa sorte!!!!!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Por entre janelas

Pelas janelas dos coletivos vejo a ausência do Estado transposta em inúmeras igrejas lotadas de diversos fiéis, são estes desesperados que representam um neoliberalismo extremado que nunca se costurou com a realidade social das grandes capitais da América latina.

Hoje em dia há pastores de todos os níveis: teatrais, globais, intelectuais, comerciantes, atletas, advogados, empresários e negociantes do nosso futuro, seja ele no céu ou na terra. Essas igrejas que atuam em todas as áreas do trambique, além de indenizações estão pagando vários vexames como cair na cabeça de seus fiéis, pelo fato de como diz nosso caro Black Allien: “recorre aos pastores, o explorador da fé que infesta, em nome do senhor, dos senhores de forma desonesta”. Nessas horas como Chico Science fazia só nos resta perguntar pro Josué de Castro “o Josué nunca vi tamanha desgraça, quanto mais miséria tem, mais o urubu ameaça” e cantarolar nosso mestre e veterano mor Bezerra da Silva... Para reforçarmos nossa indignação de forma suave no maior “jeitinho brasileiro”!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Predadores de Colarinho e Pedigree

ESCOLHAS INDIVIDUAIS
DE CARNICEIROS SOCIAIS
VERDADEIROS PREDADORES TROPICAIS
COM RESULTADO GLOBAL
ANTI - ULTRA - NACIONAL
O MARGINAL E RADICAL
DEPENDE DO PONTO DE VISTA
A BARBARIE SEMPRE FOI E VAI SER SUA ISCA
TERRORISMO INTERNACIONAL
PONTOS NO IBOPE E NA SUA ESTATISTICA
QUE FISGA E AGLUTINA
ANTES REGIONAL
AGORA MULTINACIONAL
PREDADORES/SENHORES
DE COLARINHO E PEDIGREE
O SEU CAMINHO EU CONHEÇO
MAS EU PREFIRO NÃO SEGUIR

TEMPO DE VIVER
TEMPO DE TRAMPAR
SÓ NÃO HÁ TEMPO DE SONHAR
Para ver essa poesia musicada clic aqui http://www.youtube.com/watch?v=4kjlH8QqemU

segunda-feira, 22 de março de 2010

Meu Sul


Ah, o Recife !
E seus olhos de jabuticaba,
Suas tardes de macaxeira
E suas noites enluaradas !

Ah, o Recife !
E seus cachos vazios
cheios de cor,
As árvores do cinema
Os sorrisos bêbados de amor.

Ah, o Recife !
Amigos nas tardes dos mercados
Cachaça, rapadura e samba...
Seus poetas bambas
Que nos fazem sorrir.

Ah, Recife !
Imensas são as saudades de ti
Sua alma de cidade me faz refletir
E na geografia do meu coração
O Recife é o meu sul.

O Conto

PARA ALÉM DO QUE EU SINTO, PERCEBO
ACHO QUE ESTA NA HORA DE COMEÇARMOS A BRINCAR!
ESSE ROSTO JOVIAL JÁ POSSUI MARCAS
PENUGENS BRANCAS E CICATRIZES DE ESPANTO
NO ENTANTO, A AMARGURA NÃO SE FAZ NECESSÁRIA
A VIDA É COMO UM CONTO
QUE O FIM NÃO NOS INTERESSA
DEGUSTANDO O COTIDIANO
PODEMOS ALUCINAR NOSSAS VIBRAÇÕES
ASSIM COMO J.L. BORGES
KAFKANIAMENTE CONHECEMOS O PROCESSO
E PREFIRIMOS A VIDA DE BARATA
PARA FABRICARMOS INFINITAS METAMORFÓSES
AO INVÉS DE ACEITAR A GANÂNCIA COMO ALIBI
TALVEZ A SINCERIDADE COM O CORAÇÃO
SEJA PEDIR DE MAIS
MAS PORQUE TANTAS PALAVRAS?
SE SÃO AS CONFIDÊNCIAS DOS OLHOS QUE NOS SATISFAZEM
E É A FRAGRÂNCIA DO CABELO QUE FAZ O ELO
TANTAS VEZES A BOCA DIZ NÃO
NO ENTANTO, ESTENDEMOS NOSSAS MÃOS


terça-feira, 16 de março de 2010

Época de chuva


Acabou-se a boêmia
Agora bebo um copo de chuva
Já eram as horas vadias que ficava com meu amor.
Os homens não são mais os mesmos
Não vestem chapéu
Não olham mais pro céu
Não falam palavras de amor.
Hoje nas tardes vazias sinto dor...
A dor de ter sempre que partir,
De não resistir aos olhares tensos e envidraçados
Da minha gente das ruelas amargas e nuas
Sobrevivendo na cidade do descaso.
Respiro a última gota de chuva com o gole do café amargo.

Trono de Adão

Vou lhe falar algumas verdades então!
Os Reis morreram e estão enterrados
Mas suas coroas permanecem no trono
No Egito isso era raro
Mas aqui? Nada mais comum
As Capitanias continuam hereditárias
E o Brasil pau(Pau brasil)pra toda obra

De certo fui Rei, mas me enterrei
Com certeza fui o mais tirano
Lembro-me como se fosse hoje
Mandei matar todos meus inimigos
Governei como um verdadeiro mensageiro de Deus
O povo me adorava e eu amava meu povo
Fui o Gilgamesh do Brasil
Desbravei os mundos
Mas o que mais gostei foi o Inferno

Vivi por algum tempo com meu tutor
Lúcifer era também um grande amigo
Graças a ele tive meus momentos de glória
Ele soltava seus foguetes e o povo sorria
Que incrível era sua magia
Nas Guerras sempre foi meu aliado
Eu nunca perdi – sempre vencedor
Só uma vez tive que me ausentar de meu trono
Foi quando meu reino foi destruído
Minha família foi à única a sobreviver
Mas não considero derrota
Pois eu nunca lutei

Hoje como estou?
Tranqüilo!!!
Ajudei ao Lú a distribuir o mensalão
Mas estou longe dos meus objetivos
Preciso de mais almas
A minha não da mais
Vou começa a vender as dos meus amigos

sexta-feira, 12 de março de 2010

Só mais uma reflexão...

Muitas vezes escolhemos posições e damos opiniões sobre fatos do cotidiano, que de certa forma não temos poder de mudança, sem a devida reflexão. Muito recente é a regularização dos “flanelinhas” em Porto Alegre. Não há duvida de que, para os donos de automóveis, o preço “extorquido” pelos “flanelinhas” em grandes eventos é muito alto. Todos que pagam se perguntam: a rua não é publica? Porém, esse é só um lado da moeda. Assim, como os “flanelinhas”, outras profissões também causam polêmica perante a opinião publica: como os “cambistas” e “camelôs”. Sabemos que tais profissões não são dignas de prestígio pela maioria das pessoas, que elas não dão nenhum direito trabalhista, dependem exclusivamente da iniciativa individual e não tem certeza de renda. Portanto, esses subempregos são, sem dúvida, uma “opção” de milhares de pessoas desempregadas e que buscam uma renda digna para o sustento de suas famílias.
É preciso perceber que violência só gera violência. E à medida que o Estado, representado pela Prefeitura, violentamente e autoritariamente acaba com o sustento de milhares de famílias( com a obrigatoriedade de sindicalização para os “flanelinhas” e a expulsão dos “camelôs” da Praça XV), sem dar um mínimo de condições para que reconstruam suas condições de trabalho e sustento, forçam a multiplicação do ódio, desespero, necessidades, revolta, vingança: que se materializam nas violência diária de nossa cidade. Isso tudo para defender o interesse de empresários com suas lojas, estacionamentos, teatros, estádios e casas de show. Porém, é como a lei da física: na realidade sempre terá reação após uma ação. E apesar das novelas e jornais, as pessoas serão sempre “atores” de sua história. Seja no desemprego, na malandragem, no roubo e no assassinato. O mundo gira para todos, não só para os que “produzem”, mas quem é cerceado de produzir também quer, por que não? Menos um guardando o carro, mais um roubando? menos um no camelô, mais um traficando? menos um vendendo ingresso, mais um matando? A fome de um filho não tem preço e só quem tem Mastercard não sabe disso.



“Banditismo por pura maldade. Banditismo por necessidade. Banditismo por uma questão de classe!!!” Chico Science

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sede de Mistérios

OS MISTÉRIOS DA FELICIDADE
VÊEM COM O INVOLUCRO DO INESPERADO
VIAJAM NO RIO DA VIDA COMO CORRENTEZA
HORA LENTA E REFLEXIVA
E POR VEZES COM A FORÇA DA CHUVA
QUE NÃO PARA DE CAIR, ALUVIÃO

COMO ÁGUA TURVA NÃO MOSTRA O FUNDO
NOS ACALENTA QUANDO QUENTE
NOS ACORDA QUANDO GÉLIDA
MISTÉRIOS QUE NOS CONFUNDEM
E NOS ENSINAM, NÃO MUITO RARO

SÃO COMO MARCOS QUE NUNCA SE CONSOLIDAM,
COMO IMPÉRIOS SEM FRONTEIRAS
POR ISSO, BEBO NO SORRISO DE UM CÃO
E NO CÉU SEM A LUZ DA CIDADE

COMO FRASES DE UM BOM LIVRO
NÃO CESSAM DE RESSOAR
E VEM DESSE INSOLITO IMPULSO
A SURPRINDENTE ALEGRIA DE PULAR

quarta-feira, 10 de março de 2010

Calçadas e Boeiros

PROFANO QUERO TUDO
MESMO QUE SEJA POR ENGANO
NO CIMENTO E NAS PEDRAS DE PARALELEPIPEDO
ONDE INJETO POESIA
DAS POMBAS QUE COMEM SOB MEU OMBRO
NO ESCOMBRO SE ENCONTRA A VEIA PARA A POESIA
MALDITA AGONIA QUE ME ENCANTA NA MESA DO BAR
JÁ FAZ TEMPO QUE NÃO INVENTO
TENTO E ATORMENTO COM IDÉIAS JOGADAS NO VENTILADOR
ATUCANANDO O TRANSEUNTE
FAZENDO VERSOS SEM IMPORTÂNCIA PARA GLOBALIZAÇÃO
SÃO AS FLAUTAS QUE ME LIBERTAM
QUE ME AJUDAM A CONHECER MINHAS IGNORÂNCIAS
DE UM LADO E DE OUTRO DA RUA
HAÁÁÁ,FELIZ, ÉU ENXERGO A LUA
NO SOL!GOSTO DE PESCAR AS IDÉIAS MESMO SEM ANZOL


NO MISTÉRIO DOS SENTIDOS
AS ANDANÇAS, FIGURAS, PECADOS E DESTINOS
FACE DAS CALÇADAS
O ENGODO DE ASFALTO
SE EXPREME ESPÉRANÇA NOS BARES E ESQUINAS
E A VIDA, NOVAMENTE, SE ILUMINA
SÓ QUERO HEMOGLOBINA
POR TODOS OS LADOS CORRENDO NA DIREÇÃO DA CABEÇA
DE CIMA A BAIXO
EXPLORANDO LIMITES DO CORPO E DA MENTE
PARA TANTO, EXPLODAMOS DINAMITES
DE PROVOCAÇÃO,DISENTERIA, INCOMODO, TERNURA, AÇÃO
- A ARTE –
A CULTURA DA RUA QUE SE FAZ
DESTRUIR O ALCATRAZ DA IMAGINAÇÃO
TALVEZ, MENOS LIBIDO E MAIS EMOÇÃO FAÇA SENTIDO
VIDAS SEM MISÉRIA
A VIDA TEM QUE TER DIARRÉIA
COLOCAR PARA FORA
A PALAVRA-SENTIMENTO
O GESTO-MOVIMENTO
O TATO-A CONSTRUÇÃO
VEM COM ARTE A EMOÇÃO

terça-feira, 9 de março de 2010

Movimento

Em uma metáfora de Nietzsche ele fala “das três transmutações”. Como o espírito se torna em camelo, e em leão o camelo, e em criança, por fim o leão. Na metáfora o camelo representa o espírito forte que carrega a carga, que renuncia e é respeitoso. Ao submeter-se, o camelo, as agruras de sua condição, ele carregado corre para o seu deserto. E é no mais solitário deserto que ocorre a segunda transmutação: em leão se torna aqui o espírito, liberdade ele quer conquistar, e ser senhor do seu próprio deserto. Seu último senhor ele procura aqui: quer tornar-se inimigo dele e de seu último deus, pela vitória quer lutar com o grande dragão. Qual é o grande dragão que o espírito não quer chamar de senhor e deus? “Tu deves” se chama o grande dragão. Mas o espírito do leão diz “eu quero”. “Todo valor já foi criado, e todo valor criado – sou eu. Em verdade, não deve haver nenhum ‘eu quero’!”Assim fala o dragão. Criar liberdade e um sagrado. Não, mesmo diante do dever: para isso, meus irmãos, é preciso o leão. Como seu mais sagrado amava ele outrora o “Tu deves”: agora tem de encontrar ilusão e arbítrio até no mais sagrado, para conquistar sua liberdade desse amor: é preciso o leão para esse rapina. E por ultimo, a transmutação final: a inocência é a criança, e esquecimento, um começar de novo, um jogo, uma roda rodando para si mesma, um primeiro movimento, um sagrado dizer-sim. Sim, para o jogo do criar, meus irmãos, é preciso um sagrado dizer-sim: sua vontade quer agora o espírito, seu mundo ganha para si o perdido do mundo – Assim falou Zaratustra quando passava pela cidade da Vaca colorida.
Nesse sentido, nietzschiniano, os artistas (no nosso caso, músicos) que fazem sua arte por que gostam e não têm tanto apego por resposta de publico e financeira, são eles as crianças da metáfora. Atingem um grau elevadíssimo de verdade e evolução com sigo mesmos. A luta diária por seu sustento é uma ferramenta, à medida, que sabe que seu motor é movido por outro “combustível”. E isso ninguém pode nos tirar! São tantos os que fazem por suas bandas e por seus projetos artísticos em nosso país - acreditar não parece ser mais um problema – porém, não é suficiente. Continuamos nos deparando com as dificuldades de estrutura e divulgação dos eventos. Nosso objetivo não é os problemas, mas, sim, as soluções. Portanto, a união de pessoas e interesses faz-se necessário para que se tenha um mínimo de condições para que as “crianças” possam fazer “arte” dignamente. Precisa-se de gestão, autonomia e propositividade de todos. Sem “disse-que-disse, buchicho não me faz feliz”. Como diria Black Alien “...Há três tipos de gente:os que imaginam o que acontece,os que não sabem o que acontece, e nós que faz acontecer. O bolo, glacê. Unidos à gente fica em pé. Dividido a gente cai. Quem falha cai. Um biribaibaibai. A colaboração do som é a carta na mesa...”.
Com informação, sabe-se que o Governo, produtoras e grandes patrocinadores pouco farão pela arte independente que, em principio ou com pré-conceito deles, não atinge o retorno financeiro que motiva o “incentivo” e apoio. E é por isso, que se espalham pelo Brasil coletivos ligados à arte com auto-gestão, produzindo festivais dos mais variados estilos. E no Rio Grande do Sul não é diferente. Muita coisa esta começando e outras estão se solidificando. A B.I.L.(Bandas Independentes Locais), de Canoas, é a prova do que falo. Foram 43 shows realizados desde abril de 2005 até janeiro de 2009. Mais de 70 bandas já tocaram, não apenas de Canoas, mas também de POA, Esteio, Sapucaia, Novo Hamburgo, Campo Bom, Gravataí, Terra de Areia, Blumenau (SC). 3 coletâneas foram lançadas (2006/2007/2009). E a coisa não para por aí. As iniciativas do coletivo B.I.L. cada vez mais se expandem para outras áreas, mas mantem o foco musical. No principio desse ano o coletivo Neunderground e o coletivo B.I.L. acertaram uma parceria onde todos os meses uma banda que faz parte do B.I.L. toca nos eventos do Neunderground e vice-versa. Possibilitando, além de uma integração, o aumento da rotatividade das bandas e fortalecendo os coletivos. Faça por você mesmo, liberte-se do grande dragão, e faça o que ninguém fará por você! Um abraço a todas as crianças, leões e camelos que nos apóiam.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Espirais de Entendimento

Magnéticas aventuras assumem uma falaciosa textura de cogumelos ao alvorecer do sol
Essa infinita percepção se soma ao sentimento de alivio que transborda pela boca molhada
A vivência da serpente do prazer nos atinge não podendo nega-la sem sentir remorso
Iluminada a vida fica mesmo num tênue dia onde as nuvens tomam conta do céu e não há raios a brilhar
Gostosas fragrâncias não sucumbem com o passar do tempo e de vez em quando retomam o seu lugar
Nuaceas de imagens distorcidas fragmentam o universo sem graça do pré-estabelecido
Munidas de metáforas catastróficas e ao mesmo tempo da construção de novos horizontes, talvez um pouco verticais
Como não perceber nesse instante que só a queda pode nos ajudar
Que agora que chegamos no degrau de baixo tudo se ilumina
E não é o fim do túnel
É o principio de um novo recomeço infinitamente cíclico
Mas que muda com as virtudes adquiridas nos sonhos de um dia de semana - Evolução
É no solo que a queda é mais branda, menos ego meus irmãos
Só há gloria em uma vitória na humildade do vencedor

sexta-feira, 5 de março de 2010

Chaves da Cadeia

AUSENTES E ARMADOS
FLUTUANDO EM UM MUNDO
BASEADO NA FUMAÇA
A ERVA DO ESQUECIMENTO
QUE ILUMINA A IMAGINAÇÃO
E QUE FAZ ENCHERGAR
O QUE NÃO SE VÊ, MAS SE SENTE
EMBRIAGA O PASSADO
NA FOGUEIRA DO PRESENTE
COZINHA AS VERDADES DITAS
EM MOLHO DE SOLVECRILL
QUE DISOLVE A TINTA
QUE ENCOBRE, MAS NÃO ESCONDE
O QUE SENTE
AS ALUCINAÇÕES!!!

MAIS UMA VEZ
ACORDO DA REALIDADE
A VIAGEM SEGUE
AS ILUSÕES PROSEGUEM
MEUS PENSAMENTOS VOAM
E ME DÃO TRAQUILIDADE E DESAPEGO
MAS AINDA CARREGO COMIGO
RANÇO DA INVEJA E O FEDOR DO MEDO

O ACIDO CORROI
MAS NÃO DESTROI
CONSTROI E ALUCINA
LEVANDO LONGE
SEM SAIR DO LUGAR