Muitas vezes escolhemos posições e damos opiniões sobre fatos do cotidiano, que de certa forma não temos poder de mudança, sem a devida reflexão. Muito recente é a regularização dos “flanelinhas” em Porto Alegre. Não há duvida de que, para os donos de automóveis, o preço “extorquido” pelos “flanelinhas” em grandes eventos é muito alto. Todos que pagam se perguntam: a rua não é publica? Porém, esse é só um lado da moeda. Assim, como os “flanelinhas”, outras profissões também causam polêmica perante a opinião publica: como os “cambistas” e “camelôs”. Sabemos que tais profissões não são dignas de prestígio pela maioria das pessoas, que elas não dão nenhum direito trabalhista, dependem exclusivamente da iniciativa individual e não tem certeza de renda. Portanto, esses subempregos são, sem dúvida, uma “opção” de milhares de pessoas desempregadas e que buscam uma renda digna para o sustento de suas famílias.É preciso perceber que violência só gera violência. E à medida que o Estado, representado pela Prefeitura, violentamente e autoritariamente acaba com o sustento de milhares de famílias( com a obrigatoriedade de sindicalização para os “flanelinhas” e a expulsão dos “camelôs” da Praça XV), sem dar um mínimo de condições para que reconstruam suas condições de trabalho e sustento, forçam a multiplicação do ódio, desespero, necessidades, revolta, vingança: que se materializam nas violência diária de nossa cidade. Isso tudo para defender o interesse de empresários com suas lojas, estacionamentos, teatros, estádios e casas de show. Porém, é como a lei da física: na realidade sempre terá reação após uma ação. E apesar das novelas e jornais, as pessoas serão sempre “atores” de sua história. Seja no desemprego, na malandragem, no roubo e no assassinato. O mundo gira para todos, não só para os que “produzem”, mas quem é cerceado de produzir também quer, por que não? Menos um guardando o carro, mais um roubando? menos um no camelô, mais um traficando? menos um vendendo ingresso, mais um matando? A fome de um filho não tem preço e só quem tem Mastercard não sabe disso.
“Banditismo por pura maldade. Banditismo por necessidade. Banditismo por uma questão de classe!!!” Chico Science
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